ao soar do tom-tom

Atualizado: 3 de ago. de 2021


Colagem por Alex Peguinelli


Conatus é a coluna de poesia da sobinfluencia. Poesia das estrias do tempo, grávida de insurgências, de profundo dissenso, magnética à vida.

 

Jacques Roumain escreve "Quand Bat le Tam-Tam" no início dos anos 20, publicado pela primeira vez nesta mesma década no jornal La Revenue Indigène, um precioso periódico conhecido por fazer circular a voz de tantos poetas no Haiti.

Roumain era muitos. Seu movimento transbordava e ocupava qualquer (im)possível entre a poesia, a literatura, o trabalho revolucionário, a etnologia, os estudos políticos. Atuou no movimento contra a ocupação estado-unidense no Haiti, formando-se presidente do Haiti’s Patriotic Youth League. A potência nevrálgica de sua poesia respira viva, com rastros fundos de memória e um longo coro emancipatório sussurra nas sobre-linhas. Apresentamos aqui a tradução a partir da versão em inglês, traduzida originalmente por ninguém menos que Langston Hughes, amigo de Roumain.

 

Ao soar do Tom-Tom Seu coração treme nas sombras, como o reflexo de um rosto em águas turvas A velha miragem surge do oco da noite Você conhece a doce feitiçaria da memória Um rio o transporta para longe das margens, Você ouve essas vozes: elas estão cantando as dores do amor E na escuridão lúgubre, ouve o tom-tom arquejando como o peito de uma jovem negra. Sua alma é o reflexo na água murmurante onde seus antepassados curvaram seus rostos escuros E o homem branco que te fez mulato é este resto de espuma do mar escarrada, como cuspe, sobre a costa.




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