dois (breves) poemas de paul éluard

Atualizado: 15 de fev.


Colagem de Alex Peguinelli

Conatus é a coluna semanal de poesia da sobinfluencia. Poesia das estrias do tempo, grávida de insurgências, de profundo dissenso, magnética à vida.

 

Se fôssemos traduzir o ser de Paul Éluard nesse gesto falho de nomear, diríamos algo como uma carne doce onde o homem e o universo se confundem num espaço primitivo de mulher em um ato de amor. O tom de Éluard está no ato de amar e criar, crepitando numa origem de invenção que desmonta a mirada, compõe algo anterior, sem nome, cosmogônico, algo de secreto no seio feminino. Éluard é uma curva em caráter de errância e sua tradução é um mistério do encontro. entre eu e o outro.


“Eu, logo.” [1]


Eu era homem, eu era pedra Eu era pedra no homem homem na pedra Eu era uma ave no ar espaço no pássaro Eu era flor no frio rio no sol Carbúnculo no orvalho Fraternalmente só, fraternalmente livre.


Porta aberta A vida é gentil Venha a mim, se eu for até você será um jogo Os anjos dos ramos concedem às flores uma mudança de tom.

 

Nota: [1]: referência ao primeiro verso do poema de Éluard, The Human Face: “I. Soon”




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