por que "desejo e revolução" hoje?





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Conectar desejo e revolução foi um imperativo em todos os cruzamentos entre as vidas e as obras de Félix Guattari. Nesta conversa com Bertetto e Bifo, em 1977, quando a insurreição da autonomia italiana assume graus inauditos de intensidade, lá estava, mais uma vez, o acontecimento desejo-revolução operando e produzindo efeitos. É preciso dizer que Guattari não propõe esta conexão. Ele a cartografa. Não há uma revolução digna desse nome que não foi atravessada, sustentada e, ao mesmo tempo, que não deixou de suscitar inúmeras mutações nos modos de ser, agir e sentir o mundo. Se Guattari tanto se interessou por essa experiência revolucionária italiana é também porque lá a formação de um movimento que lutava por uma revolução social era indiscernível da força de processos engajados em revoluções de desejo. Ambas, juntas, formam o que este chamava de revolução molecular. Guattari, portanto, cartografa e relança experimentações de desejo-revolução. E, ao relançar, fornece para nós algumas importantes ferramentas que podem nos tornar um pouco menos incapazes de perceber, criar e recriar as práticas de resistência que se instauram aqui e agora. E que reposicionam toda opressão, tristeza e miséria deste mundo como instâncias – superpoderosas e irrisórias – que tentam ininterruptamente frear o que não pode deixar de acontecer: a inadequação de milhões de pessoas aos valores dominantes, a contínua reinvenção de maneiras de existir que não passam pela homogeneização capitalista, as inúmeras práticas de lutas lá onde se imaginava só haver competição e ignorância, em suma, a aposta nos possíveis contra o sufocamento generalizado – a descoberta e a reafirmação de uma vida que vale a pena ser vivida.

Uma das atualidades de Desejo e revolução está justamente aí. Na explicitação e no tratamento de análises irrigadas por uma espécie de otimismo muito especial. Um otimismo que não significa a crença nos prováveis ofertados pelo atual estado de coisas deplorável. Um otimismo dos possíveis, das brechas, das fissuras… como condição da luta ela mesma já política conduzida pelos afetos derrotistas, catastrofistas, de impotência e desespero.

Como exclamava Guattari: “Nós estamos, assim, enganchados em um processo revolucionário: o que é profunda e radicalmente otimista se comparado a todos os marxismos pessimistas com os quais lidamos. Eu sou totalmente eufórico no que diz respeito ao processo revolucionário porque, no limite, se não houver revolucionários, se não houver um movimento revolucionário, de qualquer forma haverá a revolução. Uma razão a mais para fazê-la! Em relação às utopias revolucionárias, este é o otimismo mais radical que se pode imaginar!”.

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