submarino

Atualizado: 15 de fev.


Colagem por @atofalh0


Conatus é a coluna semanal de poesia da sobinfluencia. Poesia das estrias do tempo, grávida de insurgências, de profundo dissenso, magnética à vida.

 

“Submarine”, de Eugene O’Neill foi primeiramente publicado em The Masses em uma de suas últimas edições, em Fevereiro de 1917. The Masses era uma revista radical publicada mensalmente em Nova York entre 1911 e 1917. A revista era atacada incessantemente por sua postura anti-guerra e declaradamente anarquista. Eugene O’Neill foi um poeta extensivo, apesar de seu maior reconhecimento advir de sua dramaturgia. Os poemas de Eugene assumem um espaço diferente do teatro em sua vida, um lugar melancólico e muitas vezes fragmentado de suas memórias, imagens de genuína insubordinação à própria vida. O acaso, a ausência de deus e de figuras reguladoras orquestra a obra de O’Neill. Existe uma intensa dimensão de miséria que pulula num sonho de destino e de liberdade, ainda que num prisma essencialmente pessimista e ruidoso. Os múltiplos papéis trabalhistas executados pelo autor, que na realidade estadunidense da época era totalmente desregulado, instável e ia de plantadores de algodão até a mais baixa tripulação de navios mercantes no mesmo mês, deixam bases fundamentais na obra poética de Eugene. A decadência de uma situação de trabalho desumana e o horror da espera de algo que se desvendaria na guerra se espreitam nas linhas de sua poesia breve, desintegrada e descrente. Eugene é um poeta descabido em seu mundo, subjugado pelo trabalho e profundamente imenso de uma verdade insurrecional e inquieta.

 

Submarino, por Eugene O’Neill Minha alma é um submarino Minhas aspirações são torpedos Me recolherei oculto Sob a crosta da vida Vigiando navios, Toscos, navios mercantes carregados, Galeões comidos de ferrugem, enegrecidos de fuligem Metidos em suas garantias obesas, Preguiçosos demais para temer ou se encantar, Zombados pelo gargalhar das ondas E por seu cuspe desdenhoso que respinga. Eu os destruirei Porque o mar é precioso. Por isso me espreito Ameaçadoramente Nas profundezas esmeralda. Tradução e texto de Fabiana Gibim.




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